Copa do Mundo19/07/2026Equipe Editorial

Espanha domina o segundo tempo, mas final contra a Argentina vai à prorrogação

Jogadores com uniformes inspirados em Espanha e Argentina disputam a bola, enquanto o goleiro se lança para defender em uma final de Copa do Mundo.

A Espanha aumentou a pressão, controlou praticamente todas as ações ofensivas e transformou o segundo tempo da final da Copa do Mundo em um ataque constante contra a defesa argentina. O volume espanhol, porém, não foi suficiente para tirar o zero do placar.

A Argentina passou grande parte da etapa final protegendo a própria área, sem conseguir envolver Lionel Messi e Julián Álvarez. Emiliano Martínez evitou o gol espanhol em diferentes momentos e manteve a seleção sul-americana viva. Nos acréscimos, a expulsão de Enzo Fernández aumentou ainda mais a vantagem territorial da Espanha, mas o 0 a 0 permaneceu até o apito final, levando a decisão para a prorrogação.

A Espanha voltou do intervalo disposta a acelerar

Depois de um primeiro tempo com apenas três finalizações — todas espanholas —, a Espanha retornou atacando desde os primeiros segundos. Com menos de um minuto, a pressão alta recuperou a bola no campo ofensivo e Álex Baena finalizou de fora da área, obrigando Emiliano Martínez a realizar uma defesa segura.

A Argentina respondeu conquistando seu primeiro escanteio aos 48 minutos, mas não conseguiu transformar a jogada em uma oportunidade real. O cenário logo voltou ao padrão da primeira etapa: Rodri controlando o centro do campo, os defensores espanhóis avançando e os argentinos posicionados próximos da própria área.

A Espanha passou a circular a bola com maior velocidade, procurando principalmente Lamine Yamal pela direita e Dani Olmo entre as linhas. A melhor construção dos minutos iniciais aconteceu aos 55, quando uma combinação entre Oyarzabal e Fabián Ruiz foi interrompida dentro da área. Yamal aparecia livre pelo lado, mas não recebeu o passe que poderia deixá-lo em condição melhor para finalizar.

A Argentina praticamente abandonou o ataque

Enquanto a Espanha procurava alternativas, a Argentina adotava uma postura cada vez mais defensiva. Leandro Paredes entrou no intervalo no lugar de Nicolás González, reforçando o meio-campo e aproximando as linhas argentinas.

A mudança ajudou a proteger a entrada da área, mas também isolou ainda mais Messi e Julián Álvarez. Sem conseguir construir desde a defesa, a equipe argentina passou a recorrer aos lançamentos longos, frequentemente recuperados pela Espanha.

Aos 70 minutos, a Argentina se tornou a primeira seleção desde o início dos registros detalhados a permanecer sem finalizar durante os 70 minutos iniciais de uma final de Copa do Mundo. Messi teve apenas 20 contatos com a bola durante o tempo regulamentar, consequência da dificuldade argentina para sustentar a posse e chegar ao campo ofensivo.

Nos minutos finais, a diferença territorial ficou ainda mais evidente: a Espanha acumulava 22 contatos na área adversária, enquanto a Argentina tinha apenas um. A seleção europeia também chegou a controlar aproximadamente 90% da posse no quarto de hora final.

As substituições deixaram a Espanha mais agressiva

Luis de la Fuente percebeu que o domínio não estava sendo convertido em chances claras e promoveu mudanças importantes aos 62 minutos. Pedri e Ferran Torres entraram nos lugares de Fabián Ruiz e Mikel Oyarzabal.

Pedri trouxe mais passes verticais e maior velocidade na circulação. Ferran passou a ocupar a área com mais frequência, oferecendo uma referência para os cruzamentos de Yamal e dos laterais.

A resposta apareceu rapidamente. Aos 64 minutos, Dani Olmo finalizou de fora da área. Emiliano Martínez não conseguiu segurar a bola, que ganhou um efeito perigoso e passou próxima da trave antes de sair para escanteio.

Três minutos depois, Yamal recebeu pela direita, chegou à linha de fundo e levantou para Ferran Torres. O atacante conseguiu cabecear para baixo, mas a conclusão saiu na direção de Martínez, que defendeu sem dar rebote. Foi uma oportunidade importante, embora não possa ser classificada como um gol perdido.

Aos 75 minutos, Nico Williams e Mikel Merino substituíram Baena e Olmo. A Espanha passou a atacar com dois pontas bem abertos, enquanto Merino buscava infiltrações e disputas pelo alto dentro da área.

Emiliano Martínez evitou que o domínio virasse gol

A pressão espanhola atingiu seu momento mais intenso a partir dos 75 minutos. Pedri recebeu na entrada da área e finalizou para defesa de Martínez. Na sequência, Pau Cubarsí arriscou de aproximadamente 25 metros. A bola foi na direção do goleiro, mas ele calculou mal o movimento e quase a desviou para dentro do próprio gol.

Aos 78 minutos, a Espanha já contabilizava dez finalizações, sete delas na direção do gol. A Argentina ainda não havia tentado nenhuma conclusão. Pouco depois, Aymeric Laporte apareceu dentro da área e cabeceou após um cruzamento pelo lado, mas Martínez estava novamente bem colocado.

Nos acréscimos, Nico Williams liderou um contra-ataque com dois companheiros disponíveis. O atacante decidiu finalizar em vez de fazer o passe, e Martínez realizou outra defesa. Em seguida, Rodri arriscou de longe e mandou por cima da meta.

A última grande oportunidade veio em uma cobrança de falta de Lamine Yamal. O jovem espanhol bateu diretamente para o gol e obrigou Emiliano Martínez a fazer sua defesa mais difícil antes do encerramento do tempo regulamentar.

A expulsão de Enzo Fernández mudou o cenário da final

Enzo Fernández recebeu um cartão amarelo aos 82 minutos por reclamação. Já nos acréscimos, o meio-campista chegou atrasado e derrubou Pau Cubarsí. O árbitro apresentou o segundo amarelo e, consequentemente, o cartão vermelho.

A Argentina terminou o tempo regulamentar com dez jogadores, justamente quando já enfrentava dificuldades para sair da própria área. A expulsão não teve tempo suficiente para produzir uma mudança no placar, mas criou um problema enorme para Lionel Scaloni administrar durante a prorrogação.

Além de reorganizar a marcação, o treinador argentino precisará decidir se mantém dois jogadores no ataque ou se retira um deles para recompor o meio-campo. Permanecer com Messi e Julián Álvarez oferece uma ameaça nos contra-ataques, mas pode deixar a equipe excessivamente exposta diante do volume espanhol.

Quem dominou o segundo tempo?

A Espanha dominou completamente a etapa final. A seleção europeia controlou a posse, recuperou a bola rapidamente após as perdas e passou longos períodos ao redor da área argentina.

O domínio espanhol não pode ser medido apenas pela quantidade de passes. A Espanha também criou as melhores finalizações, ocupou com frequência a área adversária e impediu que Messi e Álvarez participassem do jogo.

A Argentina foi eficiente defensivamente, mas pouco produziu com a bola. O time de Scaloni permaneceu competitivo graças à organização dos defensores, às coberturas dos meio-campistas e, principalmente, à atuação de Emiliano Martínez.

A tabela resume o comportamento das duas seleções durante o segundo tempo.

 
Aspecto Espanha Argentina
Controle territorial Dominou o campo ofensivo Permaneceu próxima da própria área
Criação de oportunidades Finalizações de Olmo, Torres, Pedri, Cubarsí, Williams e Yamal Praticamente não ameaçou Unai Simón
Mudanças Entradas aumentaram velocidade e presença na área Alterações priorizaram proteção defensiva
Principal destaque Pressão coletiva e controle de Rodri Defesas de Emiliano Martínez
Situação após 90 minutos Onze jogadores e iniciativa ofensiva Dez jogadores após expulsão de Enzo Fernández

Melhores jogadores do segundo tempo

Emiliano Martínez

Mesmo com a Argentina sendo dominada, Emiliano Martínez foi o principal jogador da etapa final. O goleiro realizou intervenções em finalizações de Olmo, Ferran Torres, Pedri, Cubarsí, Laporte, Nico Williams e Yamal.

Nem todas as conclusões apresentaram grande dificuldade, e o argentino chegou a demonstrar insegurança em alguns chutes de longa distância. Ainda assim, sua participação foi decisiva para manter o placar zerado.

Rodri

Rodri controlou o meio-campo, recolheu as bolas afastadas pela defesa argentina e impediu que Messi recebesse em condições favoráveis. Sua presença permitiu que os zagueiros espanhóis jogassem mais avançados e que a Espanha permanecesse instalada no campo ofensivo.

O volante errou ao forçar uma finalização de longa distância nos acréscimos quando Mikel Merino aparecia livre pelo lado, mas sua influência coletiva foi enorme.

Pedri

A entrada de Pedri mudou o ritmo da Espanha. O meio-campista acelerou a circulação, tentou passes mais agressivos e apareceu na entrada da área para finalizar.

Sua capacidade de jogar em espaços reduzidos será ainda mais importante diante de uma Argentina que provavelmente defenderá com quase todos os jogadores atrás da linha da bola na prorrogação.

Pau Cubarsí

Além de participar da construção desde a defesa, Cubarsí arriscou uma finalização perigosa de fora da área e sofreu a falta que provocou a expulsão de Enzo Fernández.

O defensor também foi importante para antecipar lançamentos e manter a Espanha pressionando sem precisar recuar suas linhas.

Lamine Yamal

Yamal continuou sendo o jogador mais imprevisível do ataque espanhol. Participou da criação da cabeçada de Ferran Torres, cobrou uma falta na barreira e quase decidiu o jogo na última cobrança do tempo regulamentar.

A Argentina conseguiu limitar suas infiltrações para o centro, mas não evitou que o jovem criasse situações perigosas pelo corredor direito.

Resultado após o tempo regulamentar

Espanha 0 x 0 Argentina.

O placar levou a final da Copa do Mundo de 2026 para a prorrogação. A Espanha terminou os 90 minutos com amplo domínio, mas sem conseguir superar Emiliano Martínez. A Argentina avançou para o período adicional com dez jogadores depois da expulsão de Enzo Fernández aos 93 minutos.

O resultado não refletiu a diferença de produção ofensiva entre as equipes. Ao mesmo tempo, a Espanha também desperdiçou oportunidades para transformar o controle territorial em chances mais limpas, realizando diversas finalizações de média distância ou diretamente nas mãos do goleiro.

O que esperar da prorrogação?

A tendência é de uma Espanha ainda mais agressiva. Com um jogador a mais, Nico Williams e Lamine Yamal devem receber mais situações de confronto individual pelos lados. Mikel Merino pode se tornar uma peça decisiva ao atacar cruzamentos e ocupar o espaço entre os zagueiros.

Pedri deverá assumir maior responsabilidade na criação por dentro, enquanto Rodri permanecerá protegendo a equipe contra eventuais contra-ataques.

A Argentina deve montar uma linha defensiva compacta, reduzir os espaços próximos da área e administrar o desgaste físico. A presença de Messi continuará oferecendo a possibilidade de uma jogada individual, falta ou passe inesperado, mesmo que ele tenha participado pouco durante os 90 minutos.

Para a Espanha, o maior risco será transformar a superioridade numérica em ansiedade. A equipe precisará movimentar a defesa argentina, alternar ataques pelos lados e evitar finalizações precipitadas.

Para a Argentina, cada minuto sem sofrer gol aumentará a possibilidade de levar a decisão para os pênaltis, cenário em que a presença de Emiliano Martínez representa uma importante fonte de confiança.

Uma final controlada pela Espanha, mas ainda completamente aberta

O segundo tempo confirmou a superioridade espanhola na posse, na ocupação do campo e na criação de oportunidades. A Argentina resistiu graças à organização defensiva e a Emiliano Martínez, mas terminou o período regulamentar sem conseguir envolver Messi e ainda perdeu Enzo Fernández por expulsão.

A Espanha entra na prorrogação como favorita pelo que apresentou e pela vantagem numérica. Entretanto, finais de Copa do Mundo também são decididas pela capacidade de suportar pressão, aproveitar um erro ou sobreviver até os pênaltis.

Depois de 90 minutos de domínio espanhol e resistência argentina, o título continua sem dono.

ArgentinaCopa do Mundo 2026Emiliano MartínezEspanhafinal da Copa do MundoLamine YamalLionel Messiprorrogação